ETAPA 6 - "PESO RÉGUA - S.PEDRO SUL - 220 Km, 04.2018 - "Montanhas que Olham o Mar"



"Montanhas que Olham o Mar"

Apesar de estarmos no ambiente peculiar e restrito de aldeias, muitas vezes no interior do país, esse fator foi decisivo nas histórias que queremos mostrar.
VIDEOS "Portugal Profundo", by Paula Abreu ©


PORTUGAL Notável sempre em VIAGEM consigo!.

O que é a poesia senão a forma mais bela de procurar?, By Paula Abreu

A serra da Freita, pertencente ao maciço da Gralheira, juntamente com a Arada e o Arestal - em vias de se tornar Área protegida – constitui pitoresco troço de natureza, rico e diverso nas vistas, na flora e na fauna. O seu isolamento permitiu, inclusive, a manutenção de espécies raras, como o lobo, o javali e o gato bravo. A dada altura desta ascensão, mais precisamente aos 890 mts, surge-nos a Sra. da Laje, outro santuário palco de festas tradicionais.

Um pouco adiante...

"Papa Figos" - Régua

..., deparamos com um dos “musts” da região: a vertiginosa cascata conhecida como “Frecha da Misarela”. Despenhando-se de 75 mts de altura, a água, branca de espuma, cria um espetáculo único, parecendo rasgar este formidável flanco rochoso da Serra da Freita. É a mais alta das quedas de água da Península Ibérica.

As célebres “pedras parideiras”, assim chamadas porque delas “nascem” outras pedras, em “gestação” que duram milhões de anos, constituem raríssimo fenómeno geológico, com paralelo conhecido apenas num dos territórios da ExUnião Soviética. 



ETAPA 6 - "PESO RÉGUA - S.PEDRO SUL - 220 Km, 04.2018 - "Montanhas que Olham o Mar"


Se achas a AVENTURA perigosa, tente a rotina.. É mortal!!


  • Melro-azul - macho (Monticola solitarius)

  • Rio Douro - Peso da Régua Foto: Alexandre de Oliveira

  • Melro azul - Monticola solitarius Peso da Régua - Douro - Portugal




ANTA DE MAZES - Lazarim - Lamego



O ESPLENDOR DA PEDRA.. Continuando a subir a serra..uma vez alcançada a vila de Mazes, chega-se à Anta de Mazes, uma aldeia de pastores abandonada, mas onde ainda alguns pernoitam, e onde se recolhe o gado.

A Aldeia de Anta, ou Anta de Mazes, pertence à freguesia de Lazarim, em Lamego. Encontra-se hoje em dia totalmente desabitada, embora muitas casas se mantenham em bom estado de conservação.

A maior parte das habitações, com feição muito rústica, são construídas em pedra (granito), e possuem telhados de colmo. No interior podem ver-se lareiras, fornos, e por vezes recheios completos.

  • É também conhecida por Alcaria de Mazes, o que parece indicar ter sido uma aldeia habitada apenas em regime sazonal, talvez acompanhando os roteiros do pastoreio de transumância.

  • De facto, e embora não seja habitada desde os anos sessenta do século XX, ainda hoje se guarda gado e forragens na aldeia, e alguns pastores aí pernoitam, ainda que não em permanência.

  • Sabe-se, porém, que em Anta existiram residentes permanentes, ainda hoje proprietários de várias casas, forçados a sair devido ao isolamento da povoação.

Dos animais só vimos indícios, no chão, uns maiores que outros. Também ouvimos balir, dentro de algumas casas. Sherlock Holmes pode assim garantir que os animais apascentados são ovelhas, vacas e cabras.

Os burros são curiosos, atentam nos viajantes, o que já não acontece com os donos, que nem viram a cabeça. Anta é nome de monumento em pedra. São monumentos todas as pedras da serra, magníficas, respeitáveis, venerandas. Umas foram trabalhadas, fazem parte das rústicas habitações, na origem cobertas de colmo. As outras, parecendo obras de arte, realmente são fruto da erosão. Todas elas merecem que as admiremos de forma igual. 



VÁRZEA DA SERRA (Aldeia Típica)




Na ponta sudoeste do Concelho de Tarouca, para lá do alto da serra de Santa Helena, numa extensa várzea, a dez quilómetros da cidade de Tarouca, situa-se a freguesia de Várzea da Serra.


A beleza natural de Várzea da Serra apresenta-se, por si, de grande interesse. O ambiente serrano, os canastros ou espigueiros, as capuchas de burel, o pelourinho, a Casa da Cadeia e o conjunto de casas de granito, conferem-lhe as características de aldeia típica.


Considerada por antonomásia a povoação serrana do Concelho, está rodeada de cumes que atingem mais de mil metros de altitude, que a abrigam das investidas dos ventos. Elevado planalto, cai, a nordeste e noroeste, para o rio Varosa e seu afluente, denominado Varosela.

É no território da freguesia de Várzea da Serra que nascem estes dois rios: descem, em direção oposta, norte e sul, cercando a serra de Santa Helena, apertam-na nos seus flancos, como duas grandes antenas, e correm, fertilizando campos, movendo moinhos, em quase todas as freguesias do concelho, até se fundirem um no outro, perto de Mondim.

A fundação de Várzea da Serra deve datar dos princípios da Nacionalidade. Talvez os seus primeiros habitantes fossem colonos do Minho, que aqui se vieram estabelecer, como a outros lugares do concelho. E as casas mais antigas bem se assemelham, como em nenhuma outra freguesia, às construções minhotas, como se um fragmento dos povoados do Norte fosse transplantado para aqui.



DRAVE...a Aldeia Mágica!

Perdida e abandonada numa cova entre a Serra da Freita e a Serra de São Macário, rodeada das mais encantadoras paisagens serranas, a sua visão na distância cativa e emudece.

DRAVE, By Paula Abreu

A harmonia do conjunto faz feliz qualquer olhar...

Nas encostas encasteladas em sucessivas manchas declivosas toldadas pelas cores do Outono, o rio serpenteando agitado no leito profundo com as águas branqueadas de espuma saltitando entre os rochedos ou precipitando-se em pequenas cascatas, a visão distante da Aldeia Mágica - como lhe chamam - e a paisagem envolvente, levam a que seja possivel considerar este percurso como dos mais belos que até hoje percorremos. — em Drave - Aldeia Mágica (Arouca). O silêncio é total, quebrado apenas pelo sussuro da água cristalina caíndo em cascata. No regresso, o Vale do Paivô completava as imagens que vamos guardar para sempre, com a certeza que vamos voltar...!

Alguns dos melhores momentos da vida experimentamos de olhos fechados, tudo o que acontece dá para imaginar... Tudo o que se imagina, pode acontecer.



A SAGA continua em direção à emblemática Aldeia da Pena, que fica a 20 km de São Pedro do Sul (Viseu). É uma aldeia típica de xisto com seis habitantes e 10 casas de habitação, situada num vale profundo da Serra de São Macário, e aninhada no fundo desse mesmo vale, a aldeia confunde-se com a Natureza que a envolve num cenário de sonho.



ALDEIA DA PENA, S.Pedro do sul - Serra S.Macário

Por mais descobertas que se tenham feito nos domínios do amor-próprio, ainda ficarão muitas terras por descobrir.

Junto a uma ribeira de água cristalina, à entrada da aldeia, fica a Adega Típica Pena, também ela toda de xisto, de resto, aliás, como toda a povoação. Até o tampo das mesas é de xisto. Os carros não entram na aldeia. É proibido.

A aldeia enquadra-se num cenário natural de rara beleza. Estende-se por um viso que vai morrer à ribeira da Pena, a cerca de 600 metros de altitude.

As suas águas são cristalinas, embora bastante frias dada a sua proximidade da nascente e do facto de correr sobre terrenos rochosos. Esta ribeira dá muita vida à aldeia, pois é a partir dela que os campos são regados.

O seu caudal nunca seca, sendo por isso aproveitado, nos meses mais quentes do ano, pelos habitantes locais e por alguns visitantes, para banhos. Pena será lugar natural para os amantes da Natureza e da Montanha e uma das mais belas aldeias de xisto portuguesas.


Noutros tempos, muito antes do conjunto de casas ter ficado reduzido aos oito habitantes, que actualmente lhe sobreviveram, a aldeia não tinha cemitério. Quem morresse tinha que empreender uma última viagem até Covas do Rio pelos desequilíbrios do carreiro que segue ao lado da linha de água. Numa dessas vezes, reza a história, o caixão atraído pela vertigem soltou-se com um dos seus carregadores atrás. E a jornada, que começara com um morto, terminou com dois. O caminho acabou baptizado pelo trágico incidente. O caminho onde o morto matou o vivo foi substituído agora por outro, que talha uma das encostas e permite aos carros chegar ao local. Mas o trilho ancestral continua lá, à espera de quem se atrever a visitá-lo, numa homenagem à vida que passou durante muito tempo por ali.




Aldeia de REGOUFE e Minas


Aproveite também para visitar as minas de volfrâmio abandonadas. Do subsolo deste lugar e das montanhas que o envolvem foram extraídas e exportadas toneladas de volfrâmio, sobretudo para as forças aliadas e que serviram para o fabrico de material bélico, utilizado, em grande parte, durante a II Guerra Mundial, período durante o qual as minas foram concessionadas a empresários Ingleses que faziam a sua exploração. Trabalharam aqui cerca de 1000 pessoas, oriundas de Valongo, Viseu, etc.



Aldeia de MEITRIZ

Entre as serras de Montemuro e de Arada, abraçada pelo rio Paiva, Meitriz foi a primeira aldeia arouquense a ser considerada «Aldeia de Portugal». A cruzar a aldeia, surge, marcado, o percurso pedestre «Rota das Tormentas», mas em Meitriz não há tormentas, há calma, quietude, uma imensidão de verde e um correr cristalino de água, que reflete o acastanhado e o acinzentado da ardósia e do xisto das casas.

Quando vista ao longe, a aldeia mostra ainda, com orgulho, os caminhos e os socalcos agrícolas, e a ponte, construída há não muito tempo, substitui os antigos barqueiros, que cruzavam as margens, levando pessoas e bens. Santa Bárbara, em maio, a Senhora de Fátima, em agosto, Santo António e São Sebastião, em novembro, são aqui festejados, como que agradecendo a Deus por esta pequena porção de paraíso.




Aldeia de JANARDE


De personalidade vincada, como se o rosto forte estivesse a olhar o rio com a atenção de um vigia, Janarde faz estender o seu casario de xisto ao longo de um espigão de terra, em direção ao rio.

De resto, o rio Paiva tem este encanto, de fazer crescer nas suas margens estes pequenos labirintos mágicos acastanhados e cinzentos, onde as pequenas igrejas têm sempre lugar central, como a caiada capela de São Barnabé, que dá as boas vindas a quem visita Janarde.

A festa do padroeiro continua a ser organizada pelas gentes da aldeia, de forma a manter-se como um dos pontos altos da vida comunitária. Janarde, como a generalidade das aldeias tradicionais que pontuam este lado do Arouca Geopark, já não é uma aldeia perdida.