PARQUE NATURAL DO ALVÃO

O Parque Natural do Alvão (PNAl) situa-se na zona de transição entre o Minho e Trás-os-Montes em territórios pertencentes aos concelhos de Mondim de Basto e Vila Real. As Fisgas de Ermelo constituem uma das paisagens geomorfologicamente mais interessantes do Parque.



Lamas de Olo, Março 2018


A Serra do ALVÃO


LOCALIZAÇÃO: Vila Real

A Serra do Alvão é uma elevação de Portugal Continental, com 1283 metros de altitude. Situa-se a Noroeste de Vila Real, sendo nela predominantes os xistos e os granitos, separados por afloramentos de quartzitos. Aí se localiza o Parque Natural do Alvão.

Estão entre as principais curiosidades geológicas deste local as quedas de água conhecidas como Cascata de Fisgas do Ermelo, (uma das maiores da Europa) e Cascata de Agarez.

A Paisagem

O Parque Natural do Alvão caracteriza-se pela sua altitude, oceanidade e mediterraneidade.

O seu clima de montanha oroatlântica é influenciado pelas massas húmidas atlânticas.

A variação altimétrica do Parque, a morfologia do relevo e a variação do coberto vegetal com a altitude, criam condições propícias ao aparecimento de microclimas. Esta diversidade microclimática reflete-se, também, na diversidade das espécies e, consequentemente, na paisagem.

A paisagem do Parque é constituída por ecossistemas de altitude, predominado os agrossistemas associados a pequenos aglomerados. É, pois, uma paisagem fortemente humanizada.

Ao longo dos tempos, as comunidades humanas que aí se fixaram contribuíram para a sua diversidade, de forma equilibrada e em harmonia com os ritmos da natureza, desenhando a Paisagem Cultural. Assim, as principais áreas agrícolas ocorrem associadas aos pequenos aglomerados populacionais.

  • Lamas de OLO

  • Cucaça

  • Lamas de OLO

São longos os caminhos da nossa história, entre muros de pedras que se acumulam, entre rugas de mãos escravas que se esquecem, entre silêncios eternos que ninguém quer ouvir. Mas são caminhos nossos, tão nossos que não teremos coragem de os deixar, caminhos tão vastos que nos levam até onde os nossos sonhos permitirem e a realidade autorizar.

Património Construido

No Parque Natural do Alvão, o património construído é, indiscutivelmente, de elevado valor, quer pela riqueza das suas formas quer pelo seu estado de preservação.

Aqui, onde a mão humana moldou a paisagem, todo o tipo de construções estão estreitamente ligadas aos materiais da região e às necessidades da vida rural. São disso exemplo as habitações, palheiros, espigueiros, capelas, moinhos, azenhas, muros e aquedutos, espalhados um pouco por todo o Parque.

Salientam-se as aldeias de Ermelo, Lamas de Olo e Arnal, onde se pode encontrar, ainda bem conservados, pequenos núcleos representativos das diferentes tipologias de construção do Alvão.

A povoação de Ermelo, com mais de mil anos de existência apresenta inúmeros exemplos de arquitetura rural típica do Alvão. No geral, as casas são ainda de paredes de xisto, à vista, e cobertas com lousa, tudo isto enquadrado no arvoredo e nos campos de cultivo. São dignos ainda de nota, o pelourinho (símbolo de poder municipal, uma vez que esta povoação já foi sede de concelho), os lagares de vara, a via sacra de cruzes graníticas, os espigueiros, as levadas de água e a igreja que, apesar de algo adulterada no interior, revela ainda a importância de outrora na torre e no adro. Refira-se, como curiosidade, que este povoado teve o seu primeiro foral em 1196.

A povoação de Lamas de Olo conserva ainda casas vetustas tradicionais, com telhados de duas águas, cobertas com colmo, amparado por duas fiadas de granito. Realça-se ainda a existência de alguns canastros longilíneos interessantes e de moinhos, com particular destaque para o moinho da Cruz, não só pela sua localização topográfica invulgar (no topo de colina e não no vale), mas também pelo seu aqueduto pitoresco.

O Caos granítico das Muas / Amal e a aldeia de Arnal são zonas de beleza áspera e serrana que se fica a dever a certo tipo de substrato geológico granítico. No alto da aldeia, junto à penedia, surge a casa recuperada pelo administração do Parque Natural do Alvão, na sua traça tradicional e que hoje funciona como Núcleo de Técnicas Tradicionais.

  • Rio Cabrão

Geomorfologicamente, o Parque Natural do Alvão é caracterizado por uma zona de altitude, com larga bacia granítica, onde nasce o rio Olo e alguns dos seus afluentes, e uma zona mais baixa, de xisto (zona de Ermelo), onde este rio corre encaixado entre dobras de relevo de certo desenvolvimento.

  • Rio Cabril

  • Aldeia de ANTA


Zona Alta
Subzonas de:

    Lamas de Olo, Agarez e Arnal - granítico biotítico, pós-tectónico. É uma área onde se observa o chamado granito em bolas, que dá origem a paisagem agreste e caótica (caos granítico). Sob o aspeto morfológico existem contrastes de relevo acentuado, em contraponto com zonas aplanadas (zona da barragem cimeira). Do relevo existente convém assinalar o imponente morro que domina a aldeia de Arnal (catedral granítica); e

    Lamas de Olo - granito de duas micas, sin-tectónico. É uma zona que, embora granítica, contrasta com a anterior, pois as suas formas são menos granulosas e, assim, mais lineares e adoçadas.


Paisagens a perder de vista, silêncio generoso que nos abraça, sabores indescritíveis que nos enlaçam. Um Portugal rural maior que universo celestial, porque aqui o caminho não tem fim, porque aqui, eu sou um pouco de ti e tu és um pouco de mim.

PIOLEDO


Zona Basal
Subzonas de:

    Ermelo, Fervença e Barreiro - área de rochas metamórficas e de vales encaixados, estreitos e profundos (Ermelo e Varzigueto). Para fazerem agricutura, as populações  tiveram de fazer terraços; e

    Varzigueto e das Fisgas - filitos e quartzitos. Com uma bancada de quartzitos que se apresenta em anticlinal, aqui existe um desnível (degrau), com cerca de 300 m de altura, onde o rio Olo se precipita, formando as espetaculares quedas de água das Fisgas de Ermelo.

Sra. da Graça - Mondim de Basto


Hidrologia

A rede hidrográfica do Parque é de uma grande diversidade, sendo o rio Olo a sua espinha dorsal. Este rio nasce a 1280 m de altitude, a nordeste do Parque. A sua bacia hidrográfica é constituída por um conjunto de numerosos afluentes e subafluentes com características de pequenos cursos de água, que contribuem para o aumento do caudal do rio Olo, que, por sua vez, irá desaguar ao Tâmega.

A ribeira de Fervença e o rio Sião são os afluentes com maior significado, localizando-se na sua margem esquerda. O rio Sião, apesar de se localizar fora dos limites do Parque, desempenha um papel importante no abastecimento de água à povoação de Ermelo, através do sistema de levadas.  A ribeira do Vale Longo é um afluente da margem direita e tem um papel igualmente importante na rede de levadas deste Parque Natural.  

Existe ainda a ribeira de Arnal, na zona sul do Parque.



LAMAS DE OLO



Aldeia de ANTA


CLIMA

Em termos gerais, o Parque apresenta um clima temperado atlântico de características mediterrâneas. Insere-se, fundamentalmente, na cabeceira do rio Olo, que corre de nascente para poente em direcão ao Tâmega, determinando uma bacia hidrográfica orientada a poente e exposta às influências das massas de ar marítimo que ascendem à cumieira que limita o Parque no seu lado oriental.

Esta situação contribui de forma significativa para os valores de precipitação elevados que se verificam nos meses de inverno. Assim, os invernos são frios e chuvosos, sendo frequente a ocorrência de neve nas terras altas, contrapondo-se aos verões muito secos e quentes.

A variação de altitude existente na área do Parque, conjugada com a morfologia do relevo e a variação do coberto vegetal, propiciam a existência de uma certa diversidade microclimática, com diferenças assinaláveis entre as terras altas e as terras baixas.