Portugal profundo: um passeio pelas SALINAS de Rio Maior

Salinas Rio Maior, By Paula Abreu (02.2018)

No sopé das Serras de Aire e Candeeiros encontra-se um dos poucos locais de produção de sal-gema em Portugal (penso que só há mais um, em Loulé, e aí é obtido em minas). As salinas de Rio Maior são em tudo semelhantes às que se encontram junto ao mar, sendo que aqui a água salgada é extraída de um poço. Em redor destas os antigos armazéns de sal, quase todos adaptados ao comércio, são totalmente construídos em madeira desde as paredes, à portas e até mesmo às fechaduras!


Portugal é cheio de segredinhos bem guardados.

Descobri-los é das melhores e mais enriquecedoras experiências por aqui.

É o mestre cuteleiro à moda antiga no Alentejo...

...o velho queijeiro que ordenha as ovelhas e produz maravilhas da mesma maneira há décadas

a quinta pequenina que produz vinhos e geleias dos deuses…

Foi em busca de mais uma história dessas para contar que fui parar nas salinas de Rio Maior.

Para começar, uma curiosidade: elas são as únicas salinas portuguesas longe do mar. Mais precisamente: a 30 quilômetros de distância da costa.

Aqui a extração tradicional do sal é uma ciência passada de geração em geração e um passatempo delicioso de acompanhar

Extração de sal desde o século 12 – verdadeiro museu ao ar livre (By Paula Abreu, 02.2018)

  • Bifana à moda da "Salina"


O fenômeno acontece pela proximidade da Serra dos Candeeiros, onde há uma imensa jazida de sal gema.


Senhor Fernando Lopes em ação: o negócio da família já está na quarta geração


Ali, características geográficas permitem que as águas da chuva penetrem na rocha criando cursos de água subterrâneos.


  • A secagem artesanal do sal: de abril a outubro.

  • As piscinas de secagem e o sal empilhado em pirâmides.

  • Uma Viagem no tempo...


O contato com o sal dá origem a uma água que é impressionantemente sete vezes mais salgada do que a água do mar. O resto é trabalho do homem.


Depois de bombeada para poços, a água vai para piscinas rasinhas onde, sob a ação do calor e do vento, evapora naturalmente dentro de uma semana, em média. O manejo é pura sapiência. No final, grandes pirâmides de sal ficam secando antes de serem embalados para a venda. Assim, sem nenhum aditivo químico. Iodo? Nem pensar.

...e a famosa bifaninha à moda de Salinas!

Em redor das piscinas, lá estão as famosas casas de madeira e ruas de pedra. As casas, antigos armazéns de sal, são hoje lojinhas que vendem sal, claro, mas também peças de cerâmica e artesanato em geral... E uma bifana (sanduíche de carne de porco grelhada) que fica simplesmente imperdível acompanhada de uma cervejinha gelada. Pronto, só assim o programa está completo.