Café ARCADA – Évora

É em pleno centro turístico que encontramos o Café Arcada, mais propriamente na Praça do Giraldo. Não é de estranhar os inúmeros grupos que deambulam por todo o lado de máquinas fotográficas em punho e olhar deslumbrado.

GPS:  38°34'16.77"N  7°54'34.14"W

São raros os que sabem a importância deste estabelecimento tanto para a cidade como para o país. Houve uma altura em que o Arcada era procurado por todos os que visitavam a cidade e pelos eborenses.

GPS: 38°34'16.77"N 7°54'34.14"W

A abertura foi em 1942 e era considerado como um dos melhores do país, “com mais de cem mesas, possuindo frigorífico e outras inovações modernas”, segundo o jornal “Notícias d’ Évora”. O Arcada foi o projecto de António Justino Mexia da Costa Praça, Basílio da Costa Oliveira, Celestino Costa e António Borges Barreto, quatro dos maiores comerciantes eborenses. Depois de ter estado algum tempo encerrado, este mítico café encontra-se, actualmente, de portas abertas à sombra das arcadas que lhe dão o nome.

Talvez, o único ponto a apontar seria o tom “escuro” da fachada que o faz “desaparecer” no edifício. Mas, assim que o descobrimos, conseguimos imaginar o esplendor de outrora. A característica mais surpreendente é a porta giratória da entrada.

É similar à que existia no famoso “Café Chave d’Ouro”, no Rossio, em Lisboa. Era decorado com luxo e requinte pelo que foi um dos primeiros cafés a ser frequentado por senhoras, na cidade. Os doces sorriem-nos da vitrina, obrigando-nos a entrar. Um enorme balcão estende-se pela sala, estreita e longa. Nos primeiros anos o Arcada era frequentado pela burguesia local, pelos alunos liceais ou por pequenos grupos de intelectuais, entre outros.

O escritor Vergílio Ferreira relata o ambiente deste café no seu romance “Aparição”: “Com efeito, ao entrar no café, após o almoço, tive a surpresa de ver aquele vasto túnel apinhado de gente. O corredor atravancava-se de negociantes, porque era ali, entre bebidas, que se realizava o mercado da semana.” Curiosamente, este escritor está intimamente ligado ao Arcada porque foi aqui que o seu padrinho de casamento lhe pagou a boda. Hoje, não se fazem bodas, não se vê o brindar de taças de champanhe, não se ouve a Orquestra Jazz Luz e Vida, que actuou na inauguração do espaço, mas pode almoçar uma refeição ligeira, degustar um magnífico bife acompanhado de cerveja, ou pedir um dos inúmeros bolos e doces confecionados com paixão. Por tudo isto, o Café Arcada merece continuar a fazer história.